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Geração Z e casa própria: o que os jovens buscam ao comprar um imóvel

A Geração Z mantém interesse pela casa própria, mas leva para a escolha do imóvel prioridades ligadas à independência, funcionalidade, localização, tecnologia e qualidade de vida.

Durante alguns anos, ganhou força a ideia de que os jovens estariam deixando a casa própria em segundo plano. Em uma geração acostumada à mobilidade, aos serviços por assinatura e a mudanças mais frequentes de trabalho e rotina, alugar um imóvel parecia combinar melhor com um estilo de vida menos preso a compromissos de longo prazo.

Pesquisas recentes mostram um cenário mais complexo. A Geração Z continua interessada em comprar imóveis e, em alguns levantamentos, aparece justamente entre os grupos com maior intenção de compra.

Pesquisa da Brain Inteligência Estratégica realizada no primeiro trimestre de 2026 apontou que 59% dos entrevistados da Geração Z demonstravam interesse em adquirir um imóvel, acima dos 49% registrados no início de 2025. Outro estudo, realizado pela Ipsos-Ipec em 2025, mostrou que metade dos jovens de 18 a 28 anos pretendia comprar uma residência, enquanto a média entre os brasileiros pesquisados era de 41%.

O que está mudando, portanto, não é necessariamente o desejo de ter um imóvel, mas a maneira como essa geração enxerga a casa própria e aquilo que espera encontrar nela.

Para muitos jovens, comprar um apartamento não precisa estar ligado a um roteiro tradicional de casamento, filhos e permanência no mesmo endereço durante toda a vida. O primeiro imóvel pode representar independência, construção de patrimônio e a possibilidade de criar um espaço compatível com a própria rotina.

E essa mudança de perspectiva também interfere no tipo de apartamento que chama atenção.

A localização precisa facilitar a vida

Localização sempre teve peso na compra de um imóvel, mas a forma de avaliá-la vem mudando. Para um jovem que divide o dia entre trabalho, estudos, academia, compromissos pessoais e momentos de lazer, morar em uma região valorizada pode ser menos relevante do que estar próximo dos lugares que realmente fazem parte de sua rotina.

Isso leva a uma análise mais concreta do entorno. Supermercados, academias, restaurantes, serviços, universidades, áreas de lazer e acesso às principais vias da cidade passam a influenciar diretamente a experiência de morar. Um apartamento ligeiramente menor, mas localizado em uma região que reduz deslocamentos e facilita tarefas cotidianas, pode oferecer mais qualidade de vida do que uma unidade maior em uma localização pouco conectada às necessidades do morador.

Essa lógica também ajuda a entender por que mobilidade e conveniência aparecem com frequência entre as prioridades dos compradores mais jovens. Não se trata apenas de morar perto do trabalho, até porque empregos e rotinas podem mudar, mas de escolher um endereço capaz de oferecer boas conexões com diferentes partes da cidade.

Mais importante que a metragem é saber aproveitar o espaço

O primeiro apartamento nem sempre será o maior imóvel que uma pessoa terá ao longo da vida, o que torna a qualidade da planta especialmente importante. Para quem mora sozinho ou em casal, ambientes bem distribuídos podem ser mais úteis do que uma metragem maior mal aproveitada.

Sala e cozinha integradas, boa circulação, espaços de armazenamento e ambientes que aceitam diferentes configurações ajudam a tornar o imóvel mais versátil. Um segundo dormitório, por exemplo, pode começar como escritório, depois receber um hóspede com frequência e, alguns anos mais tarde, assumir outra função sem exigir uma reforma extensa.

Essa flexibilidade combina com uma fase da vida em que mudanças podem acontecer rapidamente. Trabalho, relacionamento, hábitos e composição familiar não permanecem necessariamente iguais durante muitos anos, e um apartamento que aceita adaptações tende a acompanhar essas transformações com mais facilidade. Por isso, observar apenas a quantidade de dormitórios ou a metragem total oferece uma visão incompleta do que aquela planta realmente entrega.

O home office também influencia a escolha

O avanço do trabalho híbrido colocou novas exigências dentro da residência. Mesmo quem passa a maior parte da semana no escritório pode precisar trabalhar em casa em determinados dias, participar de reuniões online, estudar ou realizar cursos e projetos pessoais.

Isso não significa que todo jovem comprador precise procurar um apartamento com escritório fechado. Em muitos casos, uma bancada bem posicionada, um dormitório flexível ou um pequeno espaço integrado à sala já consegue atender bem essa necessidade. Iluminação, disponibilidade de tomadas e uma boa conexão de internet também passam a ter um peso maior quando parte da rotina profissional acontece dentro de casa.

Avaliar esses usos antes da compra evita adaptações improvisadas depois da mudança. Uma mesa de jantar pode funcionar como espaço de trabalho eventualmente, mas dificilmente será a solução mais confortável para quem passa várias horas diante do computador com frequência.

Áreas comuns podem ampliar as possibilidades de uso

As áreas compartilhadas também vêm assumindo um papel diferente nos empreendimentos residenciais. Mais do que uma lista de itens de lazer, elas podem complementar aquilo que não precisa necessariamente ocupar espaço dentro do apartamento.

Academias, coworkings, áreas externas e ambientes de convivência podem ser úteis principalmente para quem opta por uma unidade mais compacta. Em vez de reservar dentro de casa um ambiente grande para cada atividade, o morador pode utilizar estruturas compartilhadas quando necessário e aproveitar melhor a área privativa.

Ainda assim, quantidade não deve ser confundida com qualidade. Um condomínio com muitos espaços pouco utilizados pode ser menos interessante do que outro com áreas mais enxutas, bem projetadas e adequadas ao perfil de seus moradores. Para quem está escolhendo o primeiro imóvel, vale imaginar com sinceridade quais ambientes fariam parte da rotina e quais provavelmente seriam usados apenas ocasionalmente.

Essa análise também ajuda a compreender melhor a taxa condominial. Toda estrutura compartilhada exige manutenção ao longo do tempo, por isso o valor percebido está relacionado não somente ao que o condomínio oferece, mas à utilidade real desses espaços para quem vive ali.

Tecnologia precisa facilitar, e não apenas impressionar

A Geração Z cresceu cercada por soluções digitais e tende a perceber rapidamente quando a tecnologia melhora uma experiência ou apenas acrescenta complexidade. No ambiente residencial, isso pode aparecer em sistemas de controle de acesso, reconhecimento facial, aplicativos do condomínio, soluções para recebimento de encomendas, segurança e infraestrutura de conectividade.

O valor dessas tecnologias está naquilo que elas resolvem. Um sistema de acesso eficiente reduz etapas na entrada do condomínio, enquanto uma estrutura organizada para encomendas pode ser especialmente útil para quem faz compras online com frequência e passa boa parte do dia fora de casa.

A mesma lógica vale para soluções voltadas ao futuro, como infraestrutura para recarga de veículos elétricos. O comprador pode não precisar dela imediatamente, mas a existência de uma preparação adequada mostra que o empreendimento considera mudanças de comportamento que podem ganhar importância durante os anos de uso do imóvel.

Um apartamento também precisa ser fácil de manter

Quando alguém compra o primeiro apartamento, a atenção costuma estar concentrada em localização, preço, planta e acabamento. Depois da mudança, porém, questões relacionadas à manutenção ganham uma importância que nem sempre era tão evidente durante a escolha.

Revestimentos, esquadrias, metais, instalações e demais materiais precisam continuar funcionando bem depois que o imóvel deixa de ser novidade. Soluções fáceis de limpar, conservar e reparar podem poupar tempo e reduzir incômodos ao longo dos anos, enquanto problemas construtivos ou materiais de baixa qualidade tendem a aparecer justamente quando o morador já está vivendo sua rotina.

A qualidade construtiva, portanto, merece ser observada com o mesmo cuidado dedicado à estética. Um apartamento bonito no decorado precisa oferecer também uma boa experiência quando começa a ser usado todos os dias.

O orçamento ainda é um dos principais desafios

Embora as pesquisas indiquem interesse dos jovens pela casa própria, existe uma diferença importante entre querer comprar e conseguir realizar a compra. No levantamento da Ipsos-Ipec, 47% dos jovens apontaram a falta de dinheiro para entrada ou financiamento como um dos obstáculos para adquirir um imóvel, enquanto preços e juros também apareceram entre as dificuldades mencionadas.

Esse cenário torna o planejamento financeiro especialmente relevante para quem está buscando o primeiro imóvel. Não basta observar se a prestação do financiamento cabe no orçamento atual. Entrada, condomínio, impostos, manutenção e demais despesas relacionadas à nova moradia também precisam entrar na conta.

É nesse momento que algumas escolhas se tornam mais claras. Um comprador pode aceitar uma metragem menor para morar em uma região mais conveniente, enquanto outro prefere abrir mão de algumas estruturas de lazer para ter um condomínio mais enxuto. Há também quem priorize uma planta maior, mesmo que isso signifique morar um pouco mais distante.

Não existe um apartamento ideal para toda a Geração Z. O comportamento do comprador de imóveis depende de renda, profissão, rotina, planos pessoais e prioridades, e justamente por isso faz mais sentido falar em novas formas de escolha do que tentar definir um único modelo de apartamento para jovens.

O primeiro imóvel não precisa ser o imóvel para a vida inteira

Uma das mudanças mais interessantes está na própria forma de enxergar a permanência no imóvel. Comprar um apartamento aos 25 ou 30 anos não significa necessariamente escolher o lugar onde a pessoa viverá pelo resto da vida.

O primeiro imóvel pode acompanhar uma determinada fase e, mais tarde, participar de outra decisão patrimonial. Ele pode ser vendido para ajudar na compra de uma unidade maior, permanecer como investimento ou ganhar uma nova finalidade conforme os planos do proprietário mudam.

Essa perspectiva permite fazer uma escolha mais realista. Em vez de procurar hoje um imóvel capaz de atender necessidades que talvez só existam décadas depois, o comprador pode observar se aquela unidade funciona bem para sua rotina atual e possui características que preservam sua utilidade nos próximos anos.

Uma planta funcional, uma boa localização, qualidade construtiva e infraestrutura adequada continuam sendo atributos relevantes mesmo quando os planos pessoais se transformam.

O que a Geração Z está mudando no mercado imobiliário?

A presença da Geração Z entre os compradores não significa o abandono do desejo pela casa própria, mas uma mudança na maneira como esse desejo é interpretado. Independência e construção de patrimônio continuam presentes, porém dividem espaço com preocupações relacionadas a mobilidade, flexibilidade, conveniência, tecnologia e equilíbrio financeiro.

Um jovem pode comprar um apartamento antes de se casar, preferir uma cozinha integrada porque gosta de receber amigos, precisar trabalhar alguns dias em casa e valorizar uma região onde consiga resolver boa parte da rotina sem percorrer grandes distâncias. Outro pode ter prioridades completamente diferentes e buscar uma unidade maior, mais reservada ou voltada a um planejamento de longo prazo.

O mercado imobiliário passa, assim, a lidar com compradores que não seguem necessariamente uma trajetória única. Entender essas diferentes formas de morar ajuda a desenvolver projetos mais flexíveis e capazes de acompanhar mudanças de comportamento e diferentes momentos da vida.

A Ciplart reúne empreendimentos em Maringá com diferentes configurações de plantas, áreas compartilhadas, tecnologias e soluções voltadas a perfis variados de moradores.