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Como a inteligência artificial está mudando os projetos de arquitetura

Ferramentas de IA já apoiam estudos, visualizações e rotinas de escritórios de arquitetura, mas decisões de projeto continuam exigindo análise profissional.

A inteligência artificial já começou a ocupar espaço no trabalho dos arquitetos, mas de uma forma bem diferente da ideia de um computador que recebe um pedido e entrega sozinho o projeto de um edifício.

Hoje, essas ferramentas podem ajudar a organizar informações, produzir estudos visuais, explorar alternativas nas fases iniciais e agilizar tarefas que antes consumiam muitas horas. O resultado é a possibilidade de analisar mais caminhos durante o desenvolvimento de uma proposta. A escolha entre esses caminhos, porém, continua dependendo de profissionais capazes de entender o terreno, a legislação, as necessidades das pessoas que usarão o espaço e as consequências técnicas de cada decisão.

A mudança já pode ser medida. O RIBA AI Report 2026, elaborado pelo Royal Institute of British Architects, aponta que 74% dos escritórios representados na pesquisa utilizam inteligência artificial em pelo menos alguns projetos. Em 2025, eram 59%, e em 2024, 41%. A pesquisa de 2026 foi realizada entre março e abril e recebeu mais de 1.100 respostas de profissionais ligados ao ambiente construído.

Os números se referem ao universo pesquisado, principalmente no Reino Unido, e não podem ser transferidos automaticamente para todos os escritórios de arquitetura do mundo. Ainda assim, mostram a velocidade com que a inteligência artificial está deixando de ser apenas uma experiência pontual para participar do cotidiano de parte da profissão.

Como a inteligência artificial está sendo usada na arquitetura

O uso de inteligência artificial na arquitetura não se resume à geração de imagens impressionantes de edifícios que ainda não existem.

Segundo o RIBA, as aplicações já aparecem em atividades como visualização nas etapas iniciais do projeto, verificação de requisitos, gerenciamento de projetos, gestão dos próprios escritórios e desenvolvimento técnico.

Na fase de concepção, por exemplo, uma equipe pode utilizar ferramentas digitais para explorar rapidamente diferentes formas, composições ou maneiras de representar uma ideia. Em vez de produzir manualmente cada estudo preliminar antes mesmo de saber quais caminhos merecem aprofundamento, é possível ampliar o número de possibilidades avaliadas.

Isso não significa escolher automaticamente a alternativa indicada por um sistema. Significa ter mais material para discutir.

A inteligência artificial também pode auxiliar na organização de grandes volumes de informação. Projetos de arquitetura envolvem referências, requisitos do cliente, normas, documentos técnicos, especificações, alterações ao longo do desenvolvimento e informações compartilhadas por diferentes profissionais.

Ferramentas capazes de classificar, localizar ou resumir parte desse conteúdo podem reduzir o tempo gasto procurando informações e facilitar algumas etapas de análise.

A IA permite explorar mais alternativas no início do projeto

Uma das mudanças mais perceptíveis ocorre justamente quando o projeto ainda está tomando forma.

Nas etapas iniciais, arquitetos costumam estudar diferentes possibilidades antes de chegar a uma solução suficientemente desenvolvida. É possível testar posições, volumes, relações entre ambientes, fachadas, materiais e formas de apresentar uma proposta.

A inteligência artificial pode acelerar parte dessa exploração.

Imagine um estudo no qual exista a necessidade de entender como diferentes configurações de fachada alteram a percepção do edifício. Em vez de desenvolver uma única representação e avançar diretamente a partir dela, determinadas ferramentas permitem produzir variações rapidamente para comparação.

O ganho não está necessariamente em encontrar uma suposta resposta perfeita. Está em visualizar alternativas que possam ser discutidas, descartadas, combinadas ou aprofundadas.

Esse processo também ajuda a entender por que gerar uma imagem e desenvolver um projeto arquitetônico são atividades muito diferentes.

Uma imagem criada por IA não é um projeto de arquitetura

Imagens geradas por inteligência artificial se tornaram tão convincentes que podem transmitir a impressão de que o trabalho arquitetônico já pode ser automatizado quase por completo.

Só que uma imagem precisa apenas parecer possível. Um edifício precisa ser possível.

Uma representação pode mostrar uma varanda ampla, uma fachada de vidro, grandes balanços ou ambientes sem elementos estruturais aparentes. Para que aquilo se transforme em arquitetura construída, entram questões que a imagem isolada não responde.

Como a estrutura sustentará a proposta? Como será o escoamento da água? O terreno permite aquela implantação? A orientação solar é adequada? Quais são as exigências urbanísticas? Há condições para executar aquelas soluções? Como serão feitas manutenção, circulação, acessibilidade e instalações?

O projeto precisa compatibilizar essas e muitas outras variáveis.

É por isso que a rapidez da IA para produzir alternativas visuais não elimina a necessidade de conhecimento técnico. Pelo contrário: quanto mais opções podem ser geradas, maior é a importância de saber quais delas merecem continuar sendo estudadas.

O terreno continua fazendo parte da decisão

Arquitetura não acontece em um espaço abstrato.

Um projeto precisa responder às características específicas do local onde será construído. Dimensões e geometria do terreno, desníveis, posição em relação ao sol, ventos predominantes, acessos, construções vizinhas e regras urbanísticas influenciam decisões desde as primeiras etapas.

Uma alternativa visualmente interessante pode perder sentido quando essas condições são analisadas.

Até mesmo dois terrenos de dimensões semelhantes podem exigir respostas muito diferentes por causa da orientação, do entorno ou da topografia.

A tecnologia pode apoiar a leitura de dados e a exploração de cenários, mas interpretar o que essas condições representam para aquele projeto continua exigindo análise.

Arquitetura precisa considerar quem vai usar os espaços

Outro limite de uma solução gerada apenas a partir de padrões ou comandos está nas pessoas que viverão, trabalharão ou circularão pelo edifício.

Uma planta residencial não pode ser avaliada apenas pela aparência ou pela eficiência geométrica. Ela precisa funcionar quando alguém abrir a porta do quarto, preparar o jantar, receber visitas, trabalhar em casa ou circular entre os ambientes.

Essas necessidades nem sempre aparecem em uma instrução simples fornecida a uma ferramenta.

Elas exigem diálogo, interpretação e escolhas.

É justamente nessa relação entre espaço e pessoas que áreas de estudo como a neuroarquitetura e sua influência sobre conforto e rotina ajudam a ampliar a discussão. Iluminação, proporção, acústica, relação entre ambientes e contato com elementos naturais são exemplos de características que precisam ser consideradas em conjunto, e não apenas tratadas como componentes independentes.

A IA pode contribuir para investigar possibilidades, mas cabe aos profissionais envolvidos compreender quais delas atendem de fato às necessidades do projeto.

Exigências técnicas não desaparecem com a inteligência artificial

Um edifício precisa atender a uma extensa combinação de critérios técnicos, legais e construtivos.

O RIBA identifica justamente a verificação de conformidade regulatória como uma das áreas nas quais a inteligência artificial já começa a ser utilizada por escritórios pesquisados.

Isso pode ser útil em um setor no qual existe uma quantidade significativa de normas, requisitos e informações que precisam ser consultados.

Mas uma ferramenta capaz de apoiar verificações não transfere para si a responsabilidade profissional.

O relatório do RIBA chama atenção para riscos como respostas incorretas produzidas por sistemas de IA, além de questões ainda em discussão relacionadas a responsabilidade profissional, propriedade intelectual, segurança de dados e confidencialidade.

Em arquitetura, um erro não fica restrito a uma resposta na tela. Dependendo da etapa e da decisão envolvida, ele pode repercutir em custos, desempenho, execução e segurança.

Por isso, informações produzidas ou analisadas com auxílio de inteligência artificial precisam ser verificadas dentro dos processos técnicos adequados.

O papel do arquiteto tende a mudar, não simplesmente desaparecer

A expansão da IA também trouxe uma pergunta recorrente: se a tecnologia consegue gerar imagens, organizar informações e produzir alternativas em poucos segundos, o arquiteto continuará sendo necessário?

Os dados do RIBA mostram um cenário mais complexo.

A entidade aponta que a tecnologia está assumindo parte das tarefas repetitivas e ampliando a produtividade, ao mesmo tempo em que cresce a preocupação com seus impactos sobre empregos, formação de novos profissionais e desenvolvimento das competências adquiridas no início da carreira.

Há uma razão para essa discussão.

Parte do aprendizado profissional acontece justamente em atividades que hoje são mais fáceis de automatizar. Se determinadas tarefas deixam de fazer parte da rotina de quem está começando, escritórios e instituições de ensino precisam encontrar novas maneiras de desenvolver experiência e capacidade crítica.

Ao mesmo tempo, liberar profissionais de trabalhos repetitivos pode abrir mais espaço para atividades que dependem de interpretação, criatividade, diálogo com clientes, coordenação entre especialidades e decisões estratégicas.

Nesse sentido, a tecnologia tende menos a eliminar o processo de projeto e mais a modificar onde o tempo e a atenção das equipes são empregados.

Mais alternativas não significam automaticamente projetos melhores

Existe uma diferença importante entre quantidade de opções e qualidade das decisões.

Se uma ferramenta permite gerar dezenas de possibilidades para uma fachada, planta ou ambiente em pouco tempo, o escritório ganha um conjunto maior de alternativas para investigar. Mas alguém ainda precisa determinar quais fazem sentido.

Uma proposta pode ser visualmente atraente e inadequada ao clima. Pode aproveitar bem determinada área, mas dificultar a circulação. Pode seguir uma tendência estética e envelhecer rapidamente. Pode parecer eficiente em uma imagem e se revelar complexa ou inviável na execução.

Por isso, arquitetura envolve critérios que nem sempre podem ser reduzidos a uma única variável.

A discussão sobre arquitetura atemporal ajuda a perceber essa diferença. Um projeto pensado para permanecer relevante ao longo dos anos depende de escolhas relacionadas a funcionalidade, materiais, proporções e relação com o entorno — aspectos que precisam ser analisados em conjunto.

A inteligência artificial pode aumentar o número de caminhos estudados. O valor do trabalho profissional está também em saber por que seguir um deles e abandonar os demais.

O que muda para quem observa os novos projetos de arquitetura

Para quem não trabalha no setor, talvez a mudança mais interessante seja perceber que parte do processo de criação está ganhando novas ferramentas.

Do desenho à mão aos programas de desenho assistido por computador, da modelagem tridimensional ao BIM, a arquitetura já passou por várias transformações tecnológicas. A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse processo ao permitir que determinadas informações sejam analisadas, reorganizadas ou transformadas em alternativas com muito mais rapidez.

O que não muda é o fato de que um projeto precisa chegar ao mundo real.

Ele será construído em um terreno específico, dentro de uma cidade real e utilizado diariamente por pessoas com necessidades diferentes. Precisará atender a regras, funcionar tecnicamente e manter coerência entre aquilo que foi imaginado e aquilo que pode ser executado.

É justamente nessa passagem da possibilidade para a decisão que o conhecimento dos profissionais continua fazendo diferença.

A tecnologia amplia possibilidades, mas não substitui a análise do projeto

A inteligência artificial na arquitetura já deixou de ser apenas uma previsão para o futuro. Os dados do RIBA mostram que seu uso avançou rapidamente entre os profissionais pesquisados e já alcança diferentes partes do trabalho arquitetônico.

A tendência é que essas ferramentas continuem evoluindo e ampliem a capacidade de pesquisar, organizar informações, visualizar propostas e comparar alternativas.

A arquitetura também é uma maneira de traduzir diferentes formas de morar em espaços concretos. Distribuição dos ambientes, relação entre áreas sociais e privativas, soluções de circulação, áreas de convivência e integração com o entorno são escolhas que ajudam a definir como um empreendimento será utilizado no dia a dia.

A Ciplart desenvolve empreendimentos residenciais em Maringá voltados a diferentes perfis e momentos de vida. Projetos como Fascino, Avanti e Albor apresentam propostas distintas de moradia, permitindo observar como plantas, áreas comuns e soluções arquitetônicas podem responder a necessidades diferentes sem depender de uma única fórmula para morar bem.